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terça-feira, 17 de agosto de 2010

O DISCURSO BURGUÊS

Pois Marx era antes de tudo revolucionário. Contribuir, de um ou outro modo, com a queda da sociedade capitalista e de suas instituições estatais, contribuir com a emancipação do moderno proletariado, que primeiramente devia tomar consciência de sua posição e de seus anseios, consciência das condições de sua emancipação – essa era sua verdadeira missão em vida. O conflito era seu elemento. E ele combateu com uma paixão, com uma obstinação, com um êxito, como poucos tiveram. Seu trabalho no 'Rheinische Zeitung' (1842), no parisiense 'Vorwärts' (1844), no 'Brüsseler Deutsche Zeitung' (1847), no 'Neue Rheinische Zeitung' (1848-9), no 'New York Tribune' (1852-61) – junto com um grande volume de panfletos de luta, trabalho em organização de Paris, Bruxelas e Londres, e por fim a criação da grande Associação Internacional de Trabalhadores coroando o conjunto – em verdade, isso tudo era de novo um resultado que deixaria orgulhoso seu criador, ainda que não tivesse feito mais nada.

E por isso era Marx o mais odiado e mais caluniado homem de seu tempo. Governantes, absolutistas ou republicanos, exilavam-no. Burgueses, conservadores ou ultra-democratas, competiam em caluniar-lhe. Ele desvencilhava-se de tudo isso como se fosse uma teia de aranha, ignorava, só respondia quando era máxima a necessidade.

Seu nome atravessará os séculos, bem como sua obra! (FRIEDRICH ENGELS)

A retomada do discurso burguês "às avessas", como diria o Prof.Chico de Oliveira, começou, e haja saco para suportar tanta insanidade. O grande circo se ergue para mais um espetáculo, onde os expectadores vestidos de palhaços, se preparam para assistir a grande pantomima. A apresentação dos protagonistas, agora travestidos de heróis e detentores dos mais nobres valores e sentimentos sociais, tem seu lugar na grande mídia. Totalmente desconhecedores dos desgostos e sofrimentos da grande massa, esses aristocrátas e intelectuais de gabinete, jamais pisaram em uma favela para saber como vivem os marginalizados. Nunca passaram por dificuldades ante um sistema jurídico plutocrático que não privilegia indivíduos vindo de camadas inferiores da sociedade. Onde a simples adoção perpassa uma análise das condições monetárias do requerente. Nunca viveram a realidade da luta pela sobrevivência. Esses seres, que nunca se embrenharam no meio da classe operária, nunca sentiram o peso de se trabalhar horas a fio, para conseguir sobreviver em um mundo que se sabe, não haver lugar para todos. Temos (ou não temos, basta clicar o botão), que suportar essas falácias. O grande Marx que assistiu a pressão burguesa sobre a sociedade proleta, e institucionalizou a esperança dessa classe sobre a exploração, só um homem que viveu a realidade massacrante da super estrutura sobre a estrutura inferior, merece mais do que ninguém a homenagem acima, e só ele tem propriedade para discursar em favor das classes menos favorecidas.

domingo, 11 de julho de 2010

A SUPERFICIALIDADE DO PENSAR

Fragmentos extraídos da obra "INVESTIGAÇÃO SOBRE O ENTENDIMENTO HUMANO"-David Hume

"É certo que a filosofia fácil e óbvia terá preferência dos homens sobre a filosofia exata e abstrusa; e por muitos será recomendada, não só como mais agradável como mais útil.Penetra na vida cotidiana, acomoda o coração e os afetos, e ao atingir os princípios que estimulam os homens, reforma-lhes a conduta aproxima-os mais do modelo de perfeição que ela descreve. Ao contrário, a filosofia abstrusa, fundada em uma compreensão que não pode adentrar a vida prática e a ação, desaperece quando o filósofo sai da sombra e penetra no dia claro, nem seus princípios podem manter facilmente qualquer influência sobre nossa conduta e nosso comportamento. Os sentimentos do nosso coração, a agitação de nossas paixões e a veemência de nossas afeições, dissipam todas as suas conclusões e reduzem o filósofo profundo a um simples plebeu."

"A obscuridade é, de fato, penosa tanto para o espírito como para os olhos; todavia, trazer luz da obscuridade, por mais trabalhoso que seja, deve ser agradável e regozijador."

Meu intuito aqui, não é tecer uma análise filosófica do pensamento de Hume, até porque, reconheço minha fragilidade intelectual para a saga. Hume diz que tanto a filosofia dita 'fácil', quanto a 'profunda', se complementam em um determinado estágio; que uma não existe em detrimento da outra. Gostaria de fazer apenas uma observação, sob o ponto de vista sociológico, dentro do que chamamos de descortinamento da realidade social. Na obra, me apaixonei pelos textos acima, no que diz respeito às formas de organização do interior humano, à partir de um árduo exercício da reflexão.
Nossa tendência é optar pelas facilidades. Nada que nos exija muito esforço. Assim fazemos escolhas fúteis. Relacionamentos fúteis. Existência fútil. Às vezes, personificamos a futilidade. Gostamos de ouvir coisas agradáveis. Ao embrenharmos por vias 'mais razoáveis', deixamos de descobrir caminhos encantadores. A nossa indolência espiritual e intelectual nos abstrai do conhecimento de nós mesmos e da nossa realidade.Teremos eleições. Sinto-me ridícula escrevendo sempre sobre a mesma coisa, (afinal, todos já estão conscientizados), mas por que incorremos sempre nos mesmos erros?? Por que elegemos sempre "essa gente rasteira" para nos governar??? Por que elegemos sempre programas partenalistas??? Parece que gostamos de viver na mendicância social. Temos a nossa inteligência substimada por esses FDP, que farão debates nas emissoras. Poderia amar esse país, se a minha gente soubesse fazer escolhas mais acertadas no campo político. Isso é de importância vital.Interfere diretamente na nossa vida.
Por favor, vamos refutar com veemência, planos assistencialistas, políticos que tenham processos ou seus nomes vinculados à corrupção.Ao analisarmos os candidatos, vamos tentar fazer um exercício intelectual mais laborioso, mais árduo, porém que nos dará a chance de fazermos opções mais inteligentes, que poderão dignificar esse país e quem sabe pela primeira vez nos elevarmos à condição de "cidadãos".

domingo, 13 de junho de 2010

TEORIA DA CONSPIRAÇÃO?

Vejam, parte de toda a técnica de privar as pessoas de poder é providenciar para que os reais agentes de mudança sumam da História e nunca sejam reconhecidos, na cultura, pelo que são. Então, é necessário distorcer a História e fazer parecer que foram os Grandes Homens que fizeram tudo - isso é parte de como se ensina às pessoas que elas não podem fazer nada, que são indefesas, que têm só de esperar que apareçam alguns Grandes Homens que façam as coisas para elas." (pag256)PARA ENTENDER O PODER - NOAM CHOMSKY


Não se trata da paranóia da Teoria da Conspiração.Nem de patologias psicossociais.
Também não é um discurso marxista-revolucionário contra as classes dominantes. Mas se tentarmos nos colocar nos bastidores do poder, ou seja, observar pelos vãos do cortinário da realidade social em que vivemos, como que espectadores do grande teatro que é o complexo de relações humanas, poderemos observar os feitos dos grandes agentes detentores do poder. As práticas dissimuladas, o mascaramento, e o termo que tanto gosto: o metamorfoseamento, é algo inerente do ser 'ectoplasmado' que se esconde nos 'meandros sujos' da dominação.Os atrativos alienatórios estão para todos os gostos: o futebol (exemplo atualíssimo). Quem vai pensar no que ocorre nas amarrações político-partidárias que 'rolam' para a campanha Presidencial? ora, o que importa é trazer um troféu que de nada servirá para mudar nossa realidade social, exceto para despartar um pseudo-nacionalismo que essa gente só tem nessa época. Que diremos de bobagens como BBB, que deixam as pessas babando o resto do ano? (este é o ápice da idiotice da TV), temos também as novelinhas adocicadas, os programinhas de auditórios, etc. Assim devidamente anestesiados, aguardamos um novo advento messiânico, que talvez nos tire do caos social em que nos encontramos. Quem sabe o novo Presidente? Quem sabe Barach Obama? Ou a ONU? E os novos planos paternalistas que estão sendo formulados para a nova campanha eleitoral? A segunda vinda do Salvador...Estamos sempre confiando em um Grande Irmão que nos conduzirá à 'Shangri-Lá'.O que não nos deixam perceber, é que o poder da transformação está nos "proles". Como Houxley diria: "Se há esperança, está nos proles".

                               DUALISMO BURKEANO Edmund Burke. Dublin, Irlanda. (1729-1797). Filósofo conservador/liberal. Discípulo d...