segunda-feira, 25 de março de 2013

A tua falta

Sinto a tua falta. No sonho ouço a tua voz, ao longe, a ondular em mim. A tua voz abraçada, a fazer festas. Próxima. Presente. Guardo os meus gestos nos teus cabelos e o frio dos teus dedos agarrados no calor das minhas mãos. ...Dou nomes aos teus sinais, com beijos lentos - um a um - até construir o caminho para os teus lábios, minha casa, meu porto de abrigo, meu ninho. Perco-me na luz do teu arco-íris, nos teus olhos, mergulho no seu mar azul, denso, infinito, um amor só nosso. Perco-me no teu cheiro... há um breve e vago assobio na sua pele, há um arrepio no escuro nas minhas pálpebras fechadas, para te sentir próximo do meu braço, para te encontrar sempre nos caminhos dos meus devaneios.
A tua falta

Sentir a tua falta. Ouvir a tua voz, ao longe, a ondular em mim. A tua voz abraçada, a fazer festas. Próxima. Presente. Guardar os meus gestos nos teus cabelos e o frio dos teus dedos agarrados no calor das minhas mãos. Dar nomes aos teus sinais, com beijos lentos - um a um - até construir o caminho para os teus lábios, minha casa, meu porto de abrigo, meu ninho. Perder-me na luz do teu arco-íris, nos teus olhos, onde nos fazemos peixes vivos, para nadar num mar de azul, denso, infinito, apenas nosso. Pedir ao teu cheiro um breve e vago assobio na pele, um arrepio no escuro das pálpebras fechadas, para te sentir próxima do meu braço, para te encontrar por lá e puxar-te para aqui, agora, já.

sábado, 2 de março de 2013

Você faz parte de um passado que nunca existiu...
de um presente que não é...
e de um futuro que nunca será...(seu amor é inatingível)
Mas você é o meu Amor....o Amor que tenho para amar...e que será levado comigo para a eternidade.
(Não há tempo ou mundo-possível, não há força e nem Divindade que me faça esquecer seu rosto solene, teu olhar penetrante, porque mesmo que não saibas tu és o Amor da minha vida)




"Não estejas longe de mim um só dia, porque como,
porque, não sei dizê-lo, é comprido o dia
e te estarei esperando como nas estações
quando em alguma parte dormitarem os trens

Não te vás por uma hora porque então
nessa hora se juntam as gotas do desvelo
e talvez toda a fumaça que esteja buscando casa venha matar meu coração perdido

Ai que não se quebraste a tua silhueta na areia
ai que não voem tua pálpebras na ausência;
não te vás por um minuto 'AMADO MEU'

Porque nesse minuto terás ido tão longe
que eu cruzarei tuda a terra perguntando
se  voltarás ou se me deixarás morrendo

Pablo Neruda
 

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O mundo é meu também.

Joguei fora meu patuá cheio de mágoas, decidi que ele não pode mais ser acompanhante do meu espelho, rimas e batom vermelho. Não há espaço para o belo e para o amargo em mim, não mais.

Entrei num mundo que me pertence, não são
as feridas que me retiram dele,´sou tal qual a muralha com raízes profundas, poucas coisas conseguem me abalar.......

À moça desconfiada digo: nem sou bonita, não vou roubar seu homem, você podia ter direcionado a mim também teu lindo sorriso, eu retribuiria. (Sua imaturidade é patológica e fatídica para uma mulher não tão nova assim, reveja isso querida)
À amiga que amo incondicionalmente digo: nem sou forte, tuas palavras me dilaceram e me arrancam lágrimas, e a falta delas não me faz menos sincera.
À menina medrosa de olhos lindos digo: nem sou tão livre assim, essa liberdade perigosa me machuca, por favor pare de invadir meus sonhos e pesadelos, é teu o que tenho de melhor.
À descontrolada que gritava comigo digo: tão triste um amor bonito se fazer feio, lamentável o carinho se fazer agressão, tuas atitudes refletem as minhas, e nós sempre seremos espelho.
À pequena que me manda cartas imaginárias e me diz verdades duvidosas digo: linda, louca, eu sei que só procura um abrigo, eu bem sei que solta palavras cortantes, mas peço que sofra menos e viva mais. Tu até podes levar o homem que amo, mas nunca levarás o amor que sinto por ele...espero que ele seja agraciado pela mesma intensidade...

Escrevo em prantos esse devaneio, escrevo como se me mudasse de casa, de plano, de corpo. E nem me importo com a dor, porque as vezes é doendo que se liberta.
Continuo acreditando e seguindo minhas convicções
amizade não oscila, não balança, não vence o prazo, amizade simplesmente é; gosto de palavras duras, sei lidar com elas quando lançadas feito bombas;
não exijo atenção de quem gosto e respeito, não tenho carências de holofotes, exceto os meus mesmos; quanto à felicidade, eu acredito nela, mas
finais felizes só existem em novelas.

E mesmo sem meu saquinho de mágoas, continuarei guardando-as para mim,
mas no meu mundo, no lado que me cabe sem ofender, sem chorar.
Porque eu continuo a mesma caipira de sempre, gosto de bucólico, do que sangra, do que é profundamente humano e existencial, que tem como melhor amigo um travesseiro, que escreve como louca num caderno velho e que viu o tempo pas, nunca agindo feito idiota que invade mundos alheios...Sequer consigo penetrar no meu próprio...Quem sabe esse ser perdido que tens demonstrado ser, passe a se encontrar quando descobrir o seu próprio 'Eu', as dores e as alegrias que possuem sua alma, se tornam amenos. Não é certo se passar por quem não é, esse comportamento tritura sua alma e sua estima... quando assinamos o que fazemos somos verdadeiros conosco,  passamos a nos sentir fortes e enfrentamos melhor a existência...

tavez os 'duendes' que vc. mencionou, trata-se da visão que tens de si mesma...Reconheço quem sou e preciso tão somente da minha aprovação para ser feliz....Os jogos que conduzem ao êxito em qualquer situração da vida, são aqueles que jogamos com honestidade...Nunca é tarde para aprender, se tornar GENTE, e principalmente AMADURECER... Comece tendo fé em si talvez um dia consiga ter fé em alguma Divindade...

terça-feira, 18 de dezembro de 2012


O poema é o grito do poeta,
o fantasma que ludibria a noite
e vagueia incerto na rua.

Tu és o poema,
és as palavras que escrevo,
...
a luz que escorre da madrugada,
a pétala que se abre na delicadeza dum sorriso.

O poema é o momento que te sonho
[enquanto suspiro numa eterna noite solitária)

domingo, 28 de outubro de 2012

Meu amor é um estrondo de primaveras contidas...de desertos desoladores..de rígidos invernos.Não, não, não há verão...
Minha  abnegação tornou meu prazer em pecado..O  ápice do sentimento é a dádiva da  Divindade  ...Esse amor e angústia são gotas do orgasmo de Deus...dói, fere...mas explode em volúpias...De novo tu, e sempre tu...Tu és minhas pequenas e múltiplas feridas...Tu és os licores que escorrem do meu deleite..És também o eterno gotejar da ferida que não sara...Em tudo, sempre há uma parte exilada,existe algo que se perde no momento que existimos uma ausência de palavra, de gestos...mas nunca a ausência de amor..nunca a ausência dos teus olhos...eternamente construo as mesmas grades...para que tu permaneças sempre dentro de mim..

domingo, 21 de outubro de 2012

 Os dias tempestuosos trouxeram um tempo ávido pelo fim, num desvario ele corre pelas ruas como uma onda a arrastar o mundo...sinto o SER-NADA sendo conduzido para o marasmo da eternidade...como efêmero Ser poderá suportar o tédio infinito...perambulo pelas ruas...sinto os horrores da horda citadina, escondo-me das depressivas vozes eufóricas...não encontrei alegria nos risos...não vi felicidade nos olhares dos amantes...é como se as máscaras do eterno baile não mais suportassem a maquiagem estando prestes a cair com o suor do enfado da vida...encontrei- me com a solidão em meio povoado de corpos, que como eu circulam num vazio existencial fadado a se deparar com o deus-NADA..num beco qualquer deparei-me com minha ausência...essa sombra sempre a me perseguir...esconde eternamente meu ‘eu’ de mim mesma...talvez por ciúmes...talvez por inveja...Sarcática ri-se de mim e convida-me para um cálice de vinho...muda, fita-me...não responde minhas perguntas, mas reafirma as minhas dúvidas...em meios aos goles puder lembrar momentos da juventude, e percebi o quanto esse sentir me é peculiar desde as mais remotas eras...antes de ir minha ausência mostra-me o quanto te amei antes mesmo de te conhecer...a única luz eram os teus olhos, labirintos de água, terra, fogo, ar...a tua voz dizia as palavras da vida....desvendando nuvens...era o teu rosto, era tua pele que resplandecia....antes de te conhecer, tu existias nas árvores da minha infância, nos montes e nas nuvens que eu olhava ao fim da tarde...muito longe de mim, dentro de mim, eras tu a claridade que reluzia meus dias...sentada ao meu lado, minha ausência decidiu permanecer...como se fizesse parte de mim...

segunda-feira, 15 de outubro de 2012


Já não é para ti que escrevo...ou será ainda?? Já não sei como eu era antes de tever pela primeira  vez...

Como te sonhei ou desenhei no vazio da existência, no vazio das noites, no vazio dos rostos...

Antes de ti eu era o SER-NADA, não mudei de lá para cá....

Sinto-me como um cisne a quem quebraram as asas e arrancaram o coração....

Prometi a mim mesma que um dia negaria a prudência, a frieza e atiraria todas as minhas moedas no poço profundo de um amor arredio...e larguei o trapézio das mãos e atirei-me cegamente...sem saber que não havia nada do outro lado...nada além de mim...

Afinal, tu não sabes nada de mim....

domingo, 30 de outubro de 2011


I-RACIONALE

Procurei razões no racional
Deparei-me com becos escuros
A luz não me conduzia a  lugar algum
Encontrei você em meio aos meus devaneios

Amei-te como Dante...
Do negro hades até o branco paraíso
Lutei contra Lúcifer para não perder-te para morte
Lutei contra Deus para não te levares para a eternidade

Encontrei você e senti a dor do meu amor
Na i-racionalidade dos desvarios humanos
Na angústia de amar-te
Lembrei-me dos pregos de Cristo

Senti todos eles cravados em meu peito
Na i-racionalidade te vi em meus braços
Meus sôfregos beijos em seus lábios
Me levavam a canais iluminados

Em misto ao sofrimento de não tê-lo
Fui remetida pela i-racionalidade
Ao mundo orgásmico do teu corpo
Senti todo ele dentro de mim

Ele todo pertencia a mim
Já não tinha como perder-te
E minha i-racionalidade
Te aprisionou para sempre dentro de mim

Não encontrei na racionalidade
Motivos para o amor
O tamanho desejo de tê-lo
O medo de perdê-lo

E na minha i-racionalidade te mantenho aqui, bem aqui dentro de mim, meu amor.

domingo, 9 de outubro de 2011

                                                                                      
 
 
Poema insone

Por entre as pausas e silêncio da tua voz,
procurei decifrar se ouvia apenas compassos
que me enloqueciam, por entre os desvios e reflexos do teu olhar,
tentei perceber se eram apenas raios, luzes e cores que me atraiam,
mas quando subi ao templo erguido no teu corpo,
senti que não eras figura nem escultura,
porque sequer existias.

                               DUALISMO BURKEANO Edmund Burke. Dublin, Irlanda. (1729-1797). Filósofo conservador/liberal. Discípulo d...