domingo, 20 de julho de 2014

POEMA DO ÓCIO II

Quero apenas amar-te lentamente
Tal qual o vento que transforma as rochas
Sempre de forma constante
Como o ininterrupto pulsar da veia
Como se o tempo a mim pertencesse
Sem as aflições das barganhas de amor
Sem o equivocado desejo da reciprocidade
Longe, muito longe, das feiras dos sentimentos
Longe da fantástica racionalidade mas  perto do real irracional...
Quero amar-te como se o tempo fosse meu
Como se  meu  tempo  fosse eterno...
Manipulando eras, brincando com Cronos...
Mas todo o tempo, todo o tempo é pouco

Talvez sequer haja tempo
Iniciei o diálogo com o 'tempo'...
Não houve jeito, o tempo perdeu-se no devir das horas
Casou-se com a deusa Prado
Um milhão de vezes tentei falar-lhe
Mas o tempo....
Desde então tenho me fatigado todos os dias
Vestindo e despindo e arrastando amor, sombras e eternidades....
Tempo que escoa sempre longe de mim...
Karem Regina Costa  - 05/12/2011

sábado, 12 de julho de 2014

Hasta la vista nacionalismo..

E agora  José?!  Retiraremos as bandeiras dos nossos carros? Esqueceremos a letra do hino? E o tal patriotismo das camisetas amarelas? Encerra-se aqui o espírito cidadão na nação brasilis. Eis que adentra a era da apatia política! Não há esperança para a desalienação dos alienados, que após alguns instantes de 'flashs nacionalistas', retornam agora ao 'berço esplêndido' do qual na realidade nunca sairam..



“As coisas mais importantes (...) que podemos saber a respeito de um homem é o que ele admite como certo,  e os fatos mais elementares e importantes de uma sociedade são os que raramente encontram discussão e que em geral são vistos como estabelecidos.”(WIRTH, Loius -  ‘Preface’ a Karl Mannheim. Ideology e Utopy. New York, Brace & Tramp; World, 1936)




sábado, 21 de junho de 2014

Por existires





Amor,


E tua existência era o instante feliz.
A ressurreição do Nada trouxe os momentos de glória
As insones noites heróicas
As cálidas tardes, amenas
O teu existir sopra brisas em mim
Há vida na sua ação estática
Suas sombras emanam luz.



 A tua existência é a manhã feliz.
Embora o céu cinzento transpareça a tempestade
O contentamento da assombrada canção
Faz palpitar em meu peito um coral de querubins
O fogo que me consome?  Iluminou a casa
O Eterno reduz-se a nada diante de Ti.

O que é a efêmera e superficial  vida
Diante da tua existência?
Em ti a totalidade esfarela-se em fragmentos
Procuro-me nas parte que o compõem
Encontro-me reduzida a coisa alguma  

A tua existência...
Desde sempre em mim. Desde
Sempre estiveste. Nas arcadas do Tempo
Nas ermas biografias, neste adro solar
No meu mudo momento

Desde sempre, amor, redescoberto em mim.

(Karem Regina, 22/06/2014)


              



domingo, 1 de junho de 2014

Porque tu estavas aqui, e eu estava lá

Há anos que fazes de mim moradia tua. Sem meu querer. Sem teu querer.. Imposto fostes, e encerrado aqui encontra-te. Desde então, a moradia da minh'alma transferiu-se para o subterrâneo, ali permanece. Sem saberes,  viras-me de cabeça para baixo e deixas-me sem norte só de te saber por perto.
Que estranhos feitiços da vida os da paixão!
Por que fazes de mim rocha em vez de rio?

Tu não o sabes, e eu também não.
Tu estás no Possível que me é Impossível.
Eis o pagamento de inúmeras Eras de pecado.
Um dia saldarei  as dívidas com a Divindade.
Estarei então livre de Ti, meu Amor
Quero acreditar que não estás lá, no âmago amargo do meu espírito,  mas me olho e só consigo ver-te.
Vives num iceberg de Freud dentro de mim e de quando em quando saltas cá para fora a provar-me que estou viva, que ainda sinto, que sou capaz de amar... afinal, simplesmente estavas lá.
Pelo menos sinto!
É melhor que a indiferença.

Torna-te real então dentro da taça de vinho!
Transforma-te assim em cálice a escorrer em meu corpo..
Assim és Tu, assim estou eu...meu Amor
(Karem Regina Costa - 30/05/2014

                               DUALISMO BURKEANO Edmund Burke. Dublin, Irlanda. (1729-1797). Filósofo conservador/liberal. Discípulo d...